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Dia desses, estava passeando pelo facebook quando, no meio das besteiras típicas do meu feed de notícias, dei de cara com a frase que nomeia esse artigo. Essa questão me deixou paralisada: ver alguém passar por isso foi uma espécie de lembrete de que a estrada da vida tem curvas e, que num momento ou outro, essa dor será minha, ou por mim.
Quando alguém importante nas nossas vidas morre, não importa se tem 10 ou 100 anos, é saudável ou cronicamente doente, a partida é sempre uma surpresa cruel. É como se nos deparássemos com uma enorme incongruência do universo e não conseguíssemos dar conta da falta de sentido naquilo. Por que aquela pessoa? Por que naquele momento? Por que daquele jeito?
Eu gostaria muito de escrever que existe uma maneira simples, rápida e indolor de superar o falecimento de um ente querido, mas essa seria uma grande mentira. O velho clichê é verdade: quando alguém que amamos morre, morre também uma parte de nós. Mas a boa notícia é que a vida se encarrega, sim, de tornar tudo mais fácil. Com o tempo, conseguimos nos alegrar com as lembranças dos bons momentos e transformar uma parte da dor quase insuportável numa saudade morna que nos conforta em momentos difíceis.
Pra autora da frase e pra todos nós que já perdemos um parente ou amigo querido, desejo muita força e meus mais sinceros sentimentos.
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Antenadas que são, vocês leitoras já devem ter ouvido falar de uma manifestação neo-feminista que vem se alastrando pelo mundo todo, a muito comentada (e fotografada) Slut Walk (Marcha das Vadias). No Brasil, ela já aconteceu em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Juiz de Fora, Recife, Natal e Salvador.
O movimento começou no Canadá, depois que, durante um ciclo de palestras sobre violência sexual, um policial alegou que as mulheres deveriam se proteger de estupros evitando se vestir como vadias.
Embora esse argumento possa parecer absurdo pra qualquer ser civilizado, ele é comumente aceito por fêmeas e machos mundo afora. Eu, pessoalmente, já vi tarados de todas as espécies jogando a culpa dos seus ataques em quem vitimizaram: pedófilos dizendo ter sido seduzidos por crianças de 3 anos, zoófilos alegando que foram assediados por cães e outras pérolas semelhantes. Nesses casos, a sociedade não tem a menor dificuldade em perceber que o único culpado é o abusador – mas quando a vítima é uma mulher, o que se imagina é que “ela provocou”, “ela pediu”, “ela deixou”, “ela é uma vagabunda que dá pra qualquer um”…
Então tá, né? Errada é a moça que pôs a saia curta ou confiou que não seria forçada a fazer sexo ao ficar sozinha com o cara. Certo e normal é quem obrigou outra pessoa a manter relações com ele, apesar dos choros, gritos e pedidos de ajuda. Totalmente saudável e ético o cidadão que aproveita que a amiga exagerou na bebida pra fazer sexo com ela, independente de sua vontade ou consentimento. Afinal, o tesão é essa coisa avassaladora e incontrolável que nos dá o direito de passar por cima da dignidade de qualquer um… NOT!
É contra a violência sexual, a culpabilização da vítima e o machismo truculento que as vadias marcham. Vestindo estampas de leopardo, meias arrastão, saltos altos e, como não pode deixar de ser, muita coragem e bom humor. Fica dica: se ser vadia é ser livre, todas somos vadias.
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Vez ou outra, nos deparamos com uma situação extremamente difícil: presenciamos o namorado de uma amiga se pegando com outra pessoa. De posse de uma informação tão potencialmente devastadora como essa, é complicado decidir como agir.
Pra muitas meninas esse post nem faz sentido porque a atitude a tomar é óbvia: ir correndo contar tudo pra BFF. Mas quem tem um pouco mais de experiência no assunto sabe que as coisas não são tão simples.
A depender da natureza do relacionamento e do grau do envolvimento dos dois, existe uma grande possibilidade de que a pessoa enganada se deixe levar pelo papo do canalha. A dor de ser traída é tão grande que a menina inconscientemente prefere acreditar que não foi bem assim, que tudo não passa de um engano e o namorado é mesmo tão maravilhoso quanto ela sempre acreditou.
Pra pessoa que teve a coragem de contar, esse é um cenário dos mais horrorosos. Ao invés de ser reconhecida como uma amiga fiel, que é o que se esperava, ela passa a ser vista como uma criatura precipitada, equivocada e, a depender do nível de ilusão da outra, talvez até invejosa. Afinal, se o namorado é esse cara tão especial, o mundo inteiro deve ter uma quedinha por ele, não é?
Em uma situação como essas, é importante ter muita sensibilidade. Antes de tomar qualquer decisão, não deixe de considerar o tipo de relacionamento dos dois, o momento que a sua amiga está vivendo e o grau de paixão enlouquecedora que ela está sentindo. Escolha bem as palavras e seja o mais compreensiva possível com a BFF. Tente não ficar chateada se ela não acreditar em você imediatamente: o mais provável é que ela só esteja precisando de um pouco de tempo pra ficha (ou pra máscara dele) cair.
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Que criancinha nesse mundo consegue crescer sem escutar pelo menos algumas centenas de vezes os contos de fadas açucarados popularizados pelos Irmãos Grimm? E quem é forte o suficiente para permanecer imune às ainda mais açucaradas versões da Disney, construídas maquiavelicamente para vender lembrancinhas e nos dar expectativas irreais sobre cabelos e relacionamentos?

É uma fatalidade: depois de tanto tempo ouvindo histórias que começam com “era uma vez um príncipe e uma princesa” e terminam com “viveram felizes para sempre”, acabamos atraídas feito moscas ao mel ao espetáculo montado em torno da união da plebéia Kate e o nobre William. O vestido branco, a carruagem, o príncipe – tudo isso nos remente àqueles sonhos primordiais da infância que normalmente envolvem um homem maravilhoso e uma vida de felicidade ao seu lado.

Mas, por mais que a gente queira acreditar em fadas madrinhas e finais felizes, a realidade insiste em não corresponder. Acho que a primeira grande decepção pra maioria de nós é perceber que, depois da infância, não nos transformamos automaticamente em mulheres lindas e graciosas (tô esperando por isso até hoje, mas, enfim). A próxima grande decepção é o imenso abismo entre o príncipe encantado da nossa imaginação e a oferta de homens disponíveis ou semi-disponíveis no mercado. De minha parte, achei particularmente deprimente concluir que eu podia me apaixonar por algumas criaturas absolutamente infames e nada, nada encantadas e – o horror – não ser correspondida. Quer dizer que eu abro mão do meu príncipe pra oferecer meu amor a esse capeta e ele ainda me esnoba? MA… QUÊ??????

Um exemplo interessante da disparidade entre a realidade da vida e a magia dos contos de fadas foi o casamento dos pais do noivo, Charles e Diana. Pra quem viveu em Marte nos últimos vinte anos e não conhece a história, tudo começou quando o quase coroa Príncipe (e herdeiro) Charles foi posto contra a parede por Bete, sua mãe, para dar fim ao seu relacionamento com uma senhora casada (uma tal de Camila, conhecem?) e encontrar uma noiva jovem, virgem e com sangue azul (naquela época casar com plebéia ainda era feio). Depois de muito procurar, ele finalmente achou uma linda professorinha que, por motivos que a razão ignora, aceitou entrar nessa cilada, Bino. A cerimônia teve direito a vestido branco de mangas megabufantes, pombas, carruagens e milhares de espectadores ao redor do mundo. A pomposa cerimônia foi o início de um festival de chifres e rancores que culminou com o escandalosíssimo divórcio real e a perda do título oficial de princesa pela queridinha dos ingleses, Lady Di. A história triste se transformou em tragédia quando, algum tempo depois do divórcio, a mãe de William e Harry morreu em um acidente de carro em Paris.

Moral da história? Mesmo entre príncipe se princesas, na vida real não há espaço para o tal “felizes para sempre”. Relacionamentos, nobres ou pobres, sempre serão exercícios diários de amor, paciência, abnegação, afeto, amizade e um pouquinho de perversão pro caldo não entornar…

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A anorexia alheia é um transtorno delirante caracterizado pela preocupação excessiva com a variação da massa corporal de todo e qualquer ser vivo, bem como pela necessidade compulsiva de emitir comentários e opiniões a esse respeito. O distúrbio é, freqüentemente, acompanhado por um padrão estético excessivamente rígido e acomete principalmente mulheres entre 15 e 112 anos.

Além da percepção muitas vezes exagerada da abrangência corporal de outras pessoas, a anoréxica alheia se mostra incapaz de compreender o fato de que a maioria da população mundial tem acesso a balanças, fitas métricas e espelhos podendo, portanto, monitorar as alterações da própria silhueta. Ela se sente patologicamente impelida a observar, avaliar e comunicar os ganhos e perdas de peso (reais e imaginários) de todas as pessoas a todo o instante e sequer cogita a possibilidade de estar sendo inconveniente, desagradável e insuportável.

Entre os sintomas recorrentes, constam a repetição semi-voluntária de frases como as seguintes:

Nossa, como você engordou!

Você estava tão magra e bonita naquela época…

Cuidado pra não engordar!

Tem certeza que vai comer isso tudo?

Você já tentou a dieta da sopa?

Você tem o rosto tão bonito, se emagrecesse ficaria linda!

Como pode uma menina tão nova ser tão descuidada?

Apesar da preocupação mais comum da anoréxica alheia ser o que ela considera excesso de peso no resto da humanidade, o emagrecimento também pode se tornar tema de seus delírios. Essa inversão é mais presente entre portadoras acima dos 65 anos de idade, ou quando o objeto de pesagem cognitiva é homem e gay (fenômeno conhecido na literatura científica como “efeito Cazuza”).

O tratamento mais eficaz contra a anorexia alheia parece ser o bom e velho “ignora que passa”. Os delírios e divagações não devem ser alimentados com concordâncias, discordândias ou respostas agressivas e, sim, desprezados com elegância e ar blasé. Ao mesmo tempo, deve-se estimular a conversa sobre assuntos variados, promovendo uma maior gama de interesses e ocupações para a mente delirante.

p.s.: Pras mais inocentes e desatentas que podem ter levado isso a sério, esse é um artigo irônico. A anorexia alheia não existe em nenhum manual diagnóstico, já na vida real….




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