moda
02
mar

Mayra tem 23 anos, já lançou dois livros e escreveu um conto erótico recentemente para uma revista. Ela poderia ser apenas mais uma Mayra nesse mundão, mas não. Mayra é filha do escritor e dramaturgo Dias Gomes. E só pelo sobrenome você já sente o peso da coisa. Aos 17 anos escreveu seu primeiro livro, “Fugalaça”, que foi lançado quando tinha 19, e no ano passado lançou seu segundo, o “Mil e Uma Noites de Silêncio”. Mas foi através de seu fotolog, criado em 2004, que seus dizeres foram ganhando leitores e seguidores. E ele está lá até hoje, quem lembra do /sensationslave?

Com carreira no Brasil, e agora nos Estados Unidos, Mayra concedeu ao GWSmag uma entrevista sobre trabalho, carreira e família. Confira.

GWS – Mayra, no momento você está morando nos Estados Unidos, correto? Como surgiu essa oportunidade?

Mayra Dias Gomes – Inicialmente eu vim para os Estados Unidos para tirar férias. Pretendia passar um mês em Los Angeles, pois estava me sentindo muito infeliz no Brasil. Eu havia acabado de lançar meu segundo livro e senti que era o momento certo para respirar novos ares. Tudo aconteceu por acaso. Conheci meu noivo na minha segunda noite aqui e nos apaixonamos (Mayra é noiva de Coyote Shivers). Mantenho os trabalhos que tinha no Brasil – coluna quinzenal da Folha de São Paulo e matérias para o site da revista Spin (www.spinearth.tv). Aqui tenho a oportunidade de estar presente em importantes coletivas de imprensa e posso dar notícias em primeira mão. Estou escrevendo um novo livro também.

GWS – Você pode nos adiantar alguma coisa do novo livro? Do que se trata?

MDG – Ainda está muito cedo para entrar nesse assunto, mas posso dizer que será um thriller psicológico que deixará muita gente intrigada. Também estou aguardando o lançamento de um livro sobre meu pai que montei com a Editora Azougue, onde traçamos o pensamento dele através de entrevistas que ele deu durante toda a vida.

GWS – E o que me diz dos contos eróticos? Essa foi a primeira vez que te chamaram pra escrever um conto erótico (revista Sexy)? Pretende continuar nessa linha? Conte um pouco de como foi a experiência.

MDG – Foi o primeiro conto erótico que eu escrevi e gostei muito da experiência, portanto pode ser que eu escreva mais coisas nessa linha. Escrever sobre sexo é excitante e me permite romper ainda mais tabus. O erotismo tem sua própria justificação moral, pois diz que o prazer é suficiente – é uma afirmação de independência, de autoridade suprema.

GWS – Você escrevia muito em seu fotolog, inclusive foi nessa época que você se tornou popular. Quando foi que você sentiu/descobriu que escrever era uma necessidade? No que isso te ajudou? O quão importante foi essa fase pra você?

MDG – Escrever sempre foi algo natural na minha vida, algo que eu sentia prazer em fazer. Era uma atividade muito incentivada na minha casa, afinal meu pai era um dos maiores dramaturgos do país. Durante a infância eu gostava de escrever músicas, peças, roteiros, poesia, e nunca abandonava meus diários, que iniciariam o tom confessional que mantenho até hoje na escrita. Mantive diários dos sete aos quinze anos, e então comecei a escrever na Internet, novamente como terapia. Meu blog e meu fotolog recebiam muitos visitantes – pessoas que se interessavam pela minha vida e pelos meus sentimentos expostos de maneira escancarada. Então se tornou um vício escrever sobre a minha vida, e muitas pessoas se viciaram em ler. A escrita foi e sempre será a melhor terapia pra mim, por isso escrevo. É muito mais do que uma profissão, é uma questão de sobrevivência. Eu trago meus fantasmas para a vida das minhas personagens em um processo de auto-contemplação e crítica, e acabo ampliando minha própria percepção da realidade além de campos narrativos.

GWS – O que mudou na sua vida após o primeiro livro? E o que não mudou?

MDG – Muitas portas se abriram quando lancei “Fugalaça”. Basicamente iniciei uma vida além da adolescência problemática. Pude pela primeira vez sentir o gosto do que é ter uma profissão, do que é trabalhar como escritora. A realização profissional abafou minha depressão, fez com que eu me esforçasse para ser cada vez mais bem sucedida. Foi quando a Folha de São Paulo começou a prestar atenção em mim e me testar como repórter musical. Poder conversar com músicos que eu idolatrava quando era nova foi como ter um sonho virar realidade. Esses músicos começaram a fazer parte da minha vida, do meu dia-a-dia. Eventualmente virei colunista quinzenal do jornal, passei a colaborar com o site da revista Spin, tive uma coluna no Notícias MTV, escrevi artigos para diferentes revistas, como a Teen Vogue e agora a Sexy. Também posei para diferentes revistas como VIP e Playboy, participei de diversos debates, feiras literárias. Fui convidada pelo governo da Finlândia para visitar Helsinki, conduzir entrevistas e cobrir um festival de metal. Como eu disse, minha vida começou depois de “Fugalaça”. Foi realmente quando me encontrei. Apesar de tudo isso, continuo sendo a mesma pessoa, só que agora mais segura, mais bem sucedida, e apaixonada pelo que faço. Sempre fiz questão de ser honesta sobre meus problemas, sobre quem sou e no que acredito, e acho que fui recompensada por isso.

GWS – Você tem sido uma inspiração para muitas garotas que passaram por situações parecidas com as suas durante a adolescência, você esperava esse resultado quando resolveu escrever seu primeiro livro?

MDG – Eu certamente tinha vontade de ajudar adolescentes ao dividir minhas experiências – boas ou traumáticas -, mas não sabia que aconteceria em uma proporção tão grande como aconteceu.

GWS – Como foi o processo para seu segundo livro? Ele atingiu o mesmo resultado do Fugalaça?

MDG – “Mil e Uma Noites de Silêncio” foi escrito em um período de quase três anos, durante muitas mudanças na minha vida. Sabia que queria escrever sobre solidão e abandono, mas não sabia como seria essa história. Foi a primeira vez que escrevi um romance ficcional, então tive mais dificuldades e também muito mais cuidado. Contudo, escrever é tão natural pra mim que as personagens surgem por conta própria, com personalidades fortes e experiências traumáticas, e eu apenas obedeço o que eles querem que eu coloque no papel.

Apesar de “Fugalaça” ter feito mais sucesso, principalmente porque fiz questão de trabalhar duro na divulgação, “Mil e Uma Noites de Silêncio” surpreendeu muita gente. Foi minha maneira de provar que não sou só uma menina a fim de publicar seus diários.

GWS – Você chegou a fazer faculdade de letras, estudar mais sobre a profissão escritor? Pretende cursar algo, ainda?

MDG – Não fiz e não vou mentir que pretendo fazer. Tenho muito interesse em fazer uma faculdade de jornalismo, mas não consigo me imaginar em uma vida com rotina.


GWS – E para as meninas que querem entram no meio artístico, o que você aconselha?

MDG – O mundo artístico é muito amplo e o mesmo conselho não serviria para todos os tipos de meninas. Eu só posso afirmar que sonhos só se realizam quando vamos atrás deles com a certeza de que vão acontecer.

GWS – O formspring chegou pra abrir todos os livros de nossas vidas, como você encara essa ferramenta digital? O que você pensa das pessoas que te criticam, querem saber demais da sua vida, se fazem de íntimos?

MDG – Eu estava me divertindo muito com o Formspring. Respondia todos os tipos de perguntas de pessoas que gostam ou não gostam de mim. Estava até funcionando como uma análise. Daí essa semana minha avó faleceu e a notícia chegou a mim através de um comentário anônimo no Formspring. Outras pessoas viram o que estava acontecendo em tempo real e se aproveitaram para fazer piada da minha dor. Foi quando me deparei com o lado negro que existe nas pessoas que se escondem atrás de uma tela de computador e fazem perguntas. Por isso meu Formspring está agora fora do ar.

GWS – E o twitter? Já cogitou de usá-lo como um espaço para seus textos?

MDG – Não, não cogito isso de jeito nenhum. Eu sou verborrágica, não quero reduzir meus textos a um micro limite de caracteres.

Como de praxe, nada como um bom ping-pong pra entrar um pouco mais na intimidade das pessoas. Enxergar o verdadeiro lado das pessoas e o que passa na cabeça delas.

* Família?
A base de tudo.

* Casamento?
A união de duas pessoas que se vêem como parceiros pelo resto da vida.

* Coyote?
O amor da minha vida.

* Sociedade?
A sociedade é um conceito mental, no mundo real só existem pessoas.

* Drogas?
A maneira mais fácil de escapar.

* Livro de cabeceira?
“As Flores do Mal” – Baudelaire.

* Top 5 bandas/músicas?
Impossível escolher só cinco, mas já que você insiste, vou dizer as primeiras que me vierem à cabeça: Turbonegro, Hanoi Rocks, Rolling Stones, Marilyn Manson, Ramones.

* Trabalho?
Quanto mais trabalho, mais tenho vontade de viver.

* Saudade?
Saudades da minha família!

* Adolescência?
Um longo período de dúvidas, inseguranças e descobertas.

* Um momento inesquecível?
Quando fui pedida em casamento no meu aniversário, na Disney.

* Onde você gostaria de estar agora?
Exatamente onde estou.

* BBB10?
Não faço a menor idéia, não assisti.

Sites

Myspace – http://www.myspace.com/mayradiasgomes
Twitter – http://twitter.com/mayradiasgomes
Fotolog – http://www.fotolog.com.br/sensationslave/

* Todas as fotos usadas nesse post foram cedidas pela Mayra e fazem parte de seu acervo pessoal. Informações sobre créditos, favor entrar em contato com a mesma através dos links acima.



facebook