28
jan
09
Segura o tchan!


Meninës, como dissemos, não vamos parar! Eu amei essas dicas da Helena! Ri muito e me deu vontade de conhecer Salvador!

Então aqui vai mais uma dica de viagem. Vamos aproveitar esse verão!

Pontuação atualizada aqui!

Por Helena Martinelli

Breve guia de sobrevivência em solo soteropolitano segundo uma GWS nativa.

1. O calor não é o seu pior inimigo.

Sim, o calor é infernal. Mas existe

um outro aspecto da natureza muito mais perigoso e mortífero do que ele: a umidade. Logo que sair do avião, você sentirá um bafo de ar quente e cheio de vapor d’água pronto para auxiliar os microorganismos que moram na sua pele a formar colônias e armar seus cabelos. Nesse momento, você vai se dar conta de que não existe pele ou cabelo ruim, existe clima ruim. Para combatê-lo sem perder a elegância, turbine sua necessaire com um bom sabonete para o rosto (recomendo Dermotivin e Clinique sempre) e, caso já tenha a pele com tendência à oleosidade, um bom matificante com fator de proteção solar (Mary Kay e Clinique são boas opções). Para amansar de verdade os cabelos, o único jeito é não dar chance à natureza e apelar para o ar nada úmido do secador… Mas, francamente, menines, secar o cabelo nas férias em plena praia não dá, néam? Trancinhas, rabos de cavalo, e coques despretensiosos são muito mais simples, charmosos e adequados para o lazer diurno tropical. Minha sugestão é: abusem dos penteados e economizem na escova.

2. Parecer turista em uma cidade turística não é algo inteligente.

Também adoro Yves-Saint Laurent e acho charmosíssimo o look Safari que ele propôs. Porém, contudo, entretanto, todavia, esse é o tipo de visual que dá mais certo em Hollywood e na Vogue do que em Salvador. Isso porque roupas cáqui, chapéus e mochilas imensas aumentam em 500% a chance de assédio por vendedores ambulantes, baianas fake que distribuem fitinhas do Bonfim, garota(os) de programa e ladrões. Se você tiver pele e/ou cabelo claros, essas chances já são altas o suficiente, principalmente em lugares como o Pelourinho e o Mercado Modelo. O melhor é tentar se misturar com a população e preferir roupas leves e coloridas. Bermuda jeans, camiseta e sandálias havaianas são atemporais por aqui.

3. Cidade luuuuuuuz

Não, Salvador não é Paris, mas é clara que só ela. Isso provavelmente comprometerá seu disfarce de não-turista, mas leve na mala alguns pares de óculos escuros. Sair com a pupila nua é dor de cabeça garantida até pra mim que vivo aqui há 25 anos.

4. Não tem nada de errado com você. As pessoas é que são assim mesmo.

Se a cada passo que você der na rua, ouvir uma cantada, com direito a porteiros mandando beijos pelo interfone, não precisa estranhar. Sem querer desmerecer seu poder de sedução, é meu dever alertá-la para o fato de que o homem médio soteropolitano é sociopata, tarado, depravado e tem como hobby inventar cantadas sem noção para recitar quando qualquer coisa que aparente ser do sexo feminino passar por ele. No mais, vale dizer que, para a população em geral, se você está na rua, é para conversar. Não é incomum alguém que você nunca viu mais gordo puxar conversa em qualquer hora e lugar e, caso você ignore, puxar conversa com outra pessoa para reclamar da sua atitude.

5. A culinária é divina, mas pode ser diabólica.

Os principais ingredientes da comida baiana são o azeite de dendê e milhares de especiarias como pimenta, cominho, castanhas, feijão etc. São pratos muito delicados e tem que ser bem feitos – se o cozinheiro exagerar em um ponto, seu intestino pode pagar o preço. Por isso, na hora de conhecer as iguarias locais, prefira restaurantes respeitados (os melhores são o Yemanjá e o Tempero da Dadá, nessa ordem). Se for experimentar acarajé, lembre-se que as baianas de verdade trabalham das 17hs às 21hs aproximadamente. Pra não errar, o melhor é ir ao Largo das Baianas, no Rio Vermelho, tomar uma cerveja gelada com todos os universitários de Salvador e escolher entre as duas melhores: Regina e Cira. Não caia na besteira de comer o acarajé da Dinha – já foi um grande acarajé, hoje é uma boa maneira de lesar turistas.

6. Não dá para saber seu Orixá apenas pela cor da sua aura.

Se alguém se proclamar pai ou mãe de santo e te abordar para dizer que tem certeza que você é de Oxum e te fizeram uma macumba, diga que e evangélico e encerre o assunto. O candomblé é uma religião secreta e as chances de um pai ou mão de santo de verdade te abordarem e falarem esse tipo de coisa é nula. Se você quer descobrir seu Orixá, vai ter que se esforçar muito para conseguir hora com um sacerdote sério e esperar algum tempo enquanto ele lê os búzios (porque essa é a única maneira).

7. E o baianês?

Sim, temos uma língua alternativa, muito parecida com o português e diferente do sotaque ridículo das novelas nordestinas da Globo. Falamos de forma anasalada e firme, como Ivete Sangalo e Raul Seixas, e usamos expressões de significado pouco óbvio como “se pique” (sai daqui, vá embora), “barril” (inconveniente), “de com força” (muito, bastante). Temos, ainda, mentes perturbadas que pensam em sexo 24 horas por dia e estão sempre atentas para qualquer interpretação maléfica de tudo o que é dito. Diante da constatação de provável duplo sentido, utilizamos, entusiasmados, a expressão “lá ele”. Exemplo fictício:


Baiano 1 – Pegue aqui pra mim.

Baiano 2 – Lá ele!

Discussão: “pegue aqui” é muito inespecífico, podendo ser interpretado como “pegue aqui no meu pênis”. O “lá ele” é uma forma de garantir que, caso a interpretação seja mesmo essa, a interação sexual entre as partes não ocorrerá.

Exemplo real ocorrido ontem à noite:

Amigo do meu macho – Estou lendo um livro excelente, mas infelizmente o livro o meio laêlístico.

Meu macho – Qual?

Amigo do meu macho – “A cabeça de Steve Jobs”.

Meu macho – Lá ele!!!!!

Amigo do meu macho – Eu disse…

Discussão: A palavra cabeça, no imaginário local, está fortemente associada à anatomia genital masculina. “Cabeça” é sinônimo de glande, por isso o alerta do amigo e a expressão indignada do meu macho.

8. Se os gatos são pardos de dia, imaginem de noite.

Soteropolitanos não têm tantas baladas-buatchi quanto os paulistanos, com exceção da viadagem que, á noite, se concentra na Barra. Aqui, prefere-se estender o happy hour e tomar cerveja com os amigos até o bar fechar. Daí, segue-se para um muquifo tradicional no Rio Vermelho, o Mercado do Peixe (que é um mercado de peixe mesmo), onde os mais corajosos comem coisas bizarras e bebem até o coma. Quando querem beijar na boca, os baianos em geral apelam para as festas de camisa, ou grandes shows de axé. Os roqueiros, ao contrário do que se pode pensar, são uma legião imensa e gostam de se reunir em uma soparia onde rolam shows (sic), o Nhô Caldos. Os mudernus se pegam em festas itinerantes como a Nave e podem ser vistos durante o dia em ambientes como a Sala de Arte, rede de cinema que só exibe filmes tão alternativos quanto seu freqüentadores.

9. Mas e as praias?

Sou a pior pessoa para dar pitaco porque odeeeeeeeio… odeio calor, odeio gente, odeio areia. Mas, enfim, se é pra escolher, fico com a Praia do Forte que fica fora da cidade e abriga o Projeto Tamar que defende as tartarugas marinhas da humanidade cruel e tem souvenirs lindos. Mas não dá pra vir a Salvador sem pelo menos dar um pulinho no Porto da Barra, uma praia de águas tranqüilas, temperatura amena e todo tipo de criatura espalhada pelas alheias. Passe lá nem que seja para rir das figuras (mas nunca no Domingo).

10. Para inglês ver.

No quesito programa para turista, eu recomendo uma visita rapidíssima ao Pelourinho só para não dizer que não foi (lá estão os ateliês de Goya e Márcia Ganem pra quem quiser conferir a moda local), tomar um delicioso sorvete de coco verde na Ribeira, assistir pelo menos uma vez o pôr do Sol na Barra (Porto, Farol ou Cristo, pode escolher), dar um passeio no Solar do Unhão e aproveitar a vista da Avenida Contorno (minha preferida), um passeio a pé pela Vitória, e um acarajé no final da tarde como todo bom baiano. Se quer comprar lembrancinhas típicas, tente o Mercado Modelo, mas saiba que você vai sofrer com a quantidade de gente te enchendo o saco e tentando te vender porcaria. Para quem procura artesanato de qualidade (e maior preço), o melhor lugar é o Instituto Mauá.

Revisão e arte: Marie V.
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14 Comentários em “Segura o tchan!”











Helena
28/01/2009

MEU BEBÊ!!!!!!!!



Soraya
28/01/2009

ADOREEEI a matéria da Helena! Acho que foi a que eu mais gostei do site até agora… fui pra Salvador quando eu era criança e mesmo assim me identifiquei com algumas coisas! hahaha parabéns Helena!



Helena
28/01/2009

BRIGADA, MARIE, FICOU TUDO LINDOOO!!!!!!



Manu
28/01/2009

Nossa, demais mesmo, um humor muito sutil e inteligente, vc tem talento hein Helena!! continue escrevendo q vai longe
Quero voltar a salvador e aproveitar a cidade mais do que da ultima vez que fui



Mari
28/01/2009

Teste, pode deletar…



Nuta
28/01/2009

hahahahhahaha passei MAL com essa matéria Helena! muito,muito boa!!!!!!



Fran
29/01/2009

AHhhhhhhhh eu ameeeeeeei!!
Parabens Helena! Eu ri d+ com essa materia e vou ter q concordar com a Soraya, foi a minha predileta ateh agora



Nati Volpe
29/01/2009

Excelente a matéria!!!!!!!!!!!! Muito legal, pq é a visão de quem mora lá, e não de turista!
Vc escreve muito bem Helena!
Qdo for a Salvador já tenho as dicas!



Bruna Lourenco
29/01/2009

Eu AMEI a matéria!
Vou a Salvador daqui a 10 dias e adorei todas as dicas do manual de sobrevivencia by Helena.



tati [anatati xD]
29/01/2009

geeente! adorei mesmo! nunca fui a salvador nem nada mas a helena escreve muito bem.



Mari
30/01/2009

Aiiiiiiiiiii adorei! Helena para coluna fixa já!



Nuta
30/01/2009

Caiu como uma luva p/ vc então em Bruna!?
realmente essa materia de Helena tá incrivel!



Clarissa.
30/01/2009

Post ótimo…
também não sou muito fã de sol não. Se quando tô no interior de sp já me derreto com o calor imagina morando em Salvador…



Clarissa
27/02/2009

Meu Deuuuuuuuuuss, hilário!!! Pra quem é baiana como eu então, deve ter se acabado…muito bem resumido, Helena! Não acrescentaria nada mais nesse manual básino de sobrevivência na Bahia!